A saúde pública do Distrito Federal chega a 2026 enfrentando uma de suas piores crises. A combinação de falta de profissionais, desvalorização das carreiras, sobrecarga de trabalho e promessas não cumpridas pelo governo produz um cenário de desgaste crescente, que impacta diretamente a população.
Brasília hoje é considerada a pior unidade da Federação na área de vigilância sanitária. E tem os piores índices de vacinação de todo o país.
Pesquisa do ObservaDF (https://observadf.unb.br/pesquisas/) realizada em abril de 2025 com 1.000 entrevistas em 29 Regiões Administrativas (RA) mostra que a saúde continua sendo a área mais mal avaliada do GDF, sem demonstrar sinais de melhora. A reprovação cresce consideravelmente entre a população que reside em áreas de baixa renda e não têm plano de saúde. Apenas 31% dos entrevistados no DF possuem plano de saúde. A proporção cai para 20% nas regiões mais pobres.
Essa vulnerabilidade se reflete diretamente na ausência de cuidados preventivos: 52,1% das pessoas não realizaram um checape médico no último ano. O percentual é ainda maior (55,8%) entre os mais carentes e sem plano de saúde. O mesmo ocorre com consultas odontológicas (47,4% não foram ao dentista) e na prática regular de exercícios físicos (40,9% não realizam atividades regularmente). Esses dados sublinham as profundas desigualdades sociais que impactam diretamente a saúde da população do DF.
O sistema público de saúde no DF é amplamente utilizado: 75,5% das famílias procuraram algum serviço no último ano. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são as mais buscadas, com 63,9% de uso.
A pré-candidatura de Jacy Afonso à Câmara Distrital realizou no dia 13 de abril, na sede do Sindicato dos Bancários de Brasília (foto), debate sobre o eixo programático Fortalecimento do sistema público de saúde e do SUS no DF. A discussão teve a mediação de Antônio Alves de Souza, ex-secretário ajunto de Saúde do GDF e Marília Coelho Cunha, ex-secretária de Saúde do GDF.
As propostas apresentadas durante o debate, a partir de documento com subsídios elaborado por Antônio Alves, serviram de subsídios para a elaboração dos compromissos abaixo, que se implementadas com vontade política, controle social e participação popular vão reverter o quadro crítico descrito no texto e garantir o direito à saúde com qualidade, equidade e dignidade para toda a população do Distrito Federal.
▪ Mais médicos
Faltam médicos e outros profissionais de saúde, principalmente especialistas. Várias UBS funcionam há seis meses sem médico, atuando apenas com enfermeiras. Profissionais estão esgotados e desvalorizados. As regiões mais pobres (Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, etc.) têm maior vulnerabilidade social e menor acesso a serviços de qualidade. Vamos implantar programa emergencial de contratação de médicos, acabando com as filas. E realizar concurso público para médicos e demais profissionais da atenção primária.
▪ Menos filas
Implantar programa emergencial de contratação de médicos para acabar com as filas. Implementar plataforma única e pública de regulação de consultas, exames e cirurgias, com tempo máximo de espera. Usar inteligência artificial para monitorar em tempo real o tempo das filas.
▪ Mais gestão e menos corrupção; os recursos existem
O orçamento da saúde para o DF saltou de R$ 8 bilhões em 2019 para R$ 13,1 bilhões em 2025. Mas apenas 19% dos recursos foram investidos na atenção primária. Há recursos. O que existe é má gestão e corrupção.
A estrutura da Secretaria da Saúde é excessivamente centralizada na Administração Central, o que atrasa a tomada de decisões e a execução de recursos. O DF tem 35 Regiões Administrativas, mas apenas 14 Conselhos Regionais de Saúde.
▪ Recuperar e fortalecer o SUS
Maior política de inclusão social do Brasil em toda sua história, o SUS está na “UTI” no Distrito Federal. O que o DF necessita é de um governo que tenha compromisso ideológico para recuperar e fortalecer o SUS como política pública democrática e participativa e fazer suas unidades funcionarem.
▪ Garantir que os recursos cheguem na Atenção Primária à Saúde. Fixar meta legal de execução mínima de 90% dos recursos empenhados na atenção primária, sob pena de responsabilização dos gestores. Criar mecanismos de transparência e controle social para acompanhamento mensal da execução orçamentária.
▪ Investir da promoção da saúde e na prevenção de doenças.
▪ Fortalecer a Estratégia Saúde da Família com cobertura universal e ampliação de equipes multiprofissionais
Ampliar a cobertura da ESF para 100% da população do DF, garantindo equipes completas (médico, enfermeiro, técnico, ACS) e implementando equipes multiprofissionais (eMulti) em todas as UBS, com psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais.
▪ Valorizar os profissionais da saúde
Instituir plano de cargos, carreiras e salários digno; criar gratificações de retenção para profissionais lotados em áreas de alta vulnerabilidade e de difícil provimento.
▪ Criar programa de educação permanente e formação de profissionais com foco no SUS
▪ Ampliar e fortalecer a recém-criada Escola de Saúde Pública do DF (ESPDF), garantindo cursos de aperfeiçoamento, residências e especializações para todos os profissionais da SES-DF, com ênfase em atenção primária, gestão e humanização.
▪ Criar programa de prevenção e detecção precoce das principais causas de mortalidade
▪ Criar programa específico de rastreamento e tratamento precoce para infarto, câncer de mama, câncer de pulmão, câncer de cólon e dengue, com mutirões de exames, campanhas permanentes e capacitação das equipes da atenção primária.