A violência contra as mulheres no Distrito Federal é alarmante. É generalizada e vem crescendo.
De acordo com o 2º Anuário de Segurança Pública do DF divulgado em março deste ano, o número de feminicídios no Distrito Federal cresceu 27% entre 2024 e 2025, passando de 22 para 28 casos.
Ou seja, uma mulher foi assassinada a cada 13 dias no DF em 2025. Foram ainda registrados 23.066 casos de violência doméstica ou familiar, incluindo 133 tentativas de feminicídio e 1.020 registros de estupro.
A maior parte dos crimes ocorre dentro da residência da vítima e os principais agressores são o companheiro, ex-companheiro ou outro familiar. As maiores vítimas são as mulheres negras das periferias.
É, portanto, mais que urgente implementar políticas públicas que combatam o feminicídio no DF.
Foi com esse propósito que a pré-candidatura de Jacy Afonso à Câmara Distrital definiu o tema “Direitos das mulheres, igualdade e combate à violência” como um dos seus eixos programáticos de campanha e realizou no dia 13 de julho um encontro no Sindicato dos Bancários de Brasília para debater propostas de ações políticas nessa direção.
Participaram do debate Zezé Furtado, secretária de Mulheres do Sindicato dos Bancários de Brasília, e Denise Motta Dau, ex-diretora da CUT Nacional e secretária Municipal de Mulheres da Prefeitura de São Paulo na gestão Fernando Haddad, com a mediação de Graça Pacheco, ex-secretária de Mulheres da CUT/DF.
Como Denise Motta Dau define Jacy Afonso
Além da sua experiência no combate ao machismo e ao feminicídio e na defesa dos direitos das mulheres, em sua apresentação durante o encontro Denise Motta Dau lembrou como conheceu Jacy Afonso e disse por que considera que ele será um grande representante da população do DF na Câmara Distrital.
“Conheci o Jacy Afonso quando éramos da Executiva Nacional da CUT e a gente se aproximou na política. O Jacy Afonso é uma pessoa muito generosa, ele puxa a gente, ele forma a gente, ele compartilha informação. Ele é corajoso. Quando ele tem divergência ele não enrola, ele expressa a divergência. Ele compra o debate, ele faz o debate político, ele politiza”, definiu Denise.
E concluiu: “Então, ele é uma pessoa que tem esse perfil de tomar a liderança, ele não tem medo de desagradar. E a gente precisa de gente assim no Parlamento”.
‘DF sem Medo, Pela Vida das Mulheres’
Zezé Furtado fez um histórico da luta das mulheres na categoria bancária e no DF e apresentou as propostas da pré-campanha de Jacy Afonso para discussão com a população.
A ideia é criar uma Rede de Proteção Integral: DF Sem Medo, Pela Vida das Mulheres, que seja transversal e envolva todas as secretarias. Para isso há a necessidade de desenvolver ações simultâneas onde as políticas de gênero, raça e diversidade dialogam entre si e com a realidade econômica de cada Região Administrativa.
A proposta parte do entendimento de que a segurança da mulher é a segurança da família. Para enfrentar o feminicídio, não basta apenas a polícia. É preciso moradia, emprego e uma rede que acolha antes que a tragédia aconteça. É o compromisso de cuidar de quem cuida do DF
A proposta envolve agir simultaneamente em 7 frentes.
“O feminicídio é um problema dos homens”
Encerrando o debate, Jacy Afonso relatou sua experiência de homem criado por 5 mulheres e de sua luta pessoal para escapar do machismo estrutural. E fez um chamamento para que os homens se reinventem e assumam que combater o machismo e o feminicídio são responsabilidades masculinas.
“Durante muito tempo, tratamos a violência contra a mulher como um ‘problema das mulheres’. Erramos. O feminicídio é um problema dos homens. Somos nós que matamos, somos nós que agredimos e somos nós que, muitas vezes, nos silenciamos diante de ‘piadas’ ou comportamentos abusivos de amigos e familiares”, disse Jacy Afonso.
E concluiu: “O enfrentamento ao feminicídio exige que o homem abra mão do privilégio do controle. Precisamos de homens comprometidos com uma nova masculinidade, que entendam que o respeito à autonomia feminina não é uma concessão, mas um dever. Precisamos de homens que ocupem as ruas e as políticas públicas para dizer que não aceitaremos mais nenhum minuto de medo para nossas companheiras, filhas e irmãs”.